O Ministério da Saúde deve divulgar nesta segunda-feira  à tarde, o quadro de distribuição de médicos estrangeiros pelas cidades brasileiras que aderiram ao programa “Mais Médicos”, criado pelo governo federal para suprir a falta de médicos em regiões mais carentes. Ao todo, serão cerca de 4 mil profissionais de Cuba, especializados em programas de atenção básica e medicina preventiva, que foram contratados pelo governo brasileiro junto à Organização Panamericana de Saúde (Opas). Já está decidido que eles vão atuar nas 701 cidades que não foram escolhidas por nenhum dos participantes das duas primeiras fases do “Mais Médicos”. A lista inclui 13 cidades sergipanas: Arauá, Canindé do São Francisco, Cristinápolis, Gararu, Ilha das Flores, Monte Alegre, Neópolis, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora das Dores, Pacatuba, São Francisco, Tomar do Geru e Umbaúba.

A chegada dos primeiros médicos começou neste final de semana. Antes de virem a Sergipe, os cubanos ficarão concentrados em bases nas cidades de Brasília (DF), Recife (PE), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), onde passam por um processo de três semanas de capacitação e avaliação, também previstas a outros médicos estrangeiros que aderiram ao programa. Já os que foram aprovados nas primeiras fases do “Mais Médicos” já estão em uma capacitação mais adiantada e começam a trabalhar um pouco antes.

Em Sergipe, a previsão é de que os 19 médicos aprovados nas primeiras fases comecem a trabalhar em 2 de setembro nas cidades de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Lagarto, Pirambu, São Miguel do Aleixo, Santa Luzia do Itanhy e Santo Amaro das Brotas. Destes, dois são profissionais brasileiros formados em faculdades do exterior, enquanto os outros são brasileiros formados e atuantes em outros estados do país. A maioria dos inscritos escolheu atuar em comunidades periféricas da Grande Aracaju.

Na sexta-feira, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) reuniu representantes das prefeituras e do Conselho Estadual de Saúde (CES) em uma videoconferência ministrada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, seguida de uma oficina para discutir o acolhimento dos profissionais nos municípios e a estrutura de trabalho que estará posta à disposição deles. “O Estado entra justamente neste apoio que faz com os municípios em diversos setores. Nós temos, desde o ano de 2007, o projeto de construção de Clínicas da Saúde da Família em todos os municípios. Das 102 clínicas projetadas, 76 já foram entregues oficialmente e existem outras que o governo ainda está por inaugurar, mas já estão em funcionamento. São estruturas que mantêm um padrão de atendimento, muito bom, que acolhe muito bem os profissionais e usuários”, explicou o diretor de Atenção Integral à Saúde da SES, João Lima Júnior.

Lima Júnior esclareceu que o “Mais Médicos” teve a adesão de 42 dos 75 municípios de Sergipe, mas 31 deles foram considerados prioritários pelo governo, devido à ausência de médicos e a altos índices de problemas de assistência médica à população carente. “O recorte é feito em cima desta necessidade. Na primeira fase, os profissionais médicos que se inscreveram passam por uma fase de escolha dos municípios que fizeram a adesão e decidiram recebê-los. Alguns foram contemplados, que foram nove, e outros não, o que não impede uma nova adesão de profissionais e municípios”, afirmou, explicando que as próprias prefeituras informarão a demanda de médicos que precisam, para análise do Ministério, mas, “dentro desse recorte”, a necessidade atual é estimada em 320 médicos.

Ele disse também que o foco do programa está nas cidades que já possuem uma estrutura de Saúde da Família e de Atenção Básica, mas ainda encontram dificuldades para preencher as vagas de médicos, por conta da falta de interesse dos profissionais nativos. Entidades da categoria, como o Conselho Regional de Medicina de Sergipe (Cremese), se queixam de que não há estrutura e condições de atendimento nas redes municipais do interior, além dos baixos salários. O diretor da SES alegou que o Estado vai destinar mais de R$ 42 milhões em recursos federais para a reforma, ampliação e construção de unidades básicas de saúde nos municípios sergipanos, dentro do programa “Requalifica UBS”.

“Nós fizemos um trabalho de acolhimento aos municípios para mostrar esta linha de financiamento e vários municípios se inscreveram, indicando postos de saúde que precisam destes investimentos. São estruturas que precisam ser aprimoradas para garantir um melhor atendimento aos usuários do SUS”, afirmou Lima, citando ainda que outros 60 médicos aprovados no Programa de Valorização da Atenção Básica (Provab), de iniciativa do governo estadual, foram qualificados e acolhidos em outras cidades sergipanas.

Hoje, a média de médicos existentes em Sergipe está em 1,36 médico por mil habitantes, abaixo da média nacional de 1,95 médico. Apenas seis estados (Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul) conseguem superar a média. Os dados são de uma pesquisa feita em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Com a contratação dos médicos cubanos, o Brasil irá gastar R$ 511 milhões, repassados pela Opas ao governo da ilha comunista para pagar os salários dos recrutados. As entidades médicas contestam o programa em ações judiciais que ainda tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).